A diretora afegã Shahrbanoo Sadat e a cineasta sérvia Jelena Maksimović abordaram as barreiras financeiras sistêmicas que as mulheres enfrentam na indústria cinematográfica durante uma sessão de conversa em Tóquio no Festival Internacional de Cinema de Tóquio. Falando no TIFF Lounge, no Tokyo Midtown Hibiya, as duas diretoras argumentaram que a discriminação começa no nível de desenvolvimento devido à falta de financiamento e ao desconhecimento institucional, em vez de começar nos comitês de seleção dos festivais.

Sadat, que recentemente integrou o júri da competição de Veneza e cujo último longa-metragem "No Good Men" abriu a 76ª Berlinale, destacou a disparidade gritante na representação. Ela observou que apenas um filme dirigido por uma mulher, "Woman Unknown", de May el-Toukhy, foi selecionado para a competição principal do Festival de Cinema de Veneza deste ano entre vinte inscrições. Sadat criticou a justificativa fornecida pelo diretor artístico de Veneza, Alberto Barbera, que afirmou que a única entrada dirigida por uma mulher era a única de qualidade adequada para competir internacionalmente. Sadat contrapôs que os diretores masculinos são frequentemente permitidos a apresentar trabalhos de menor qualidade sem enfrentar o mesmo escrutínio, sugerindo que as mulheres são submetidas a um padrão impossível onde qualquer coisa menos que a perfeição é punida.

Maksimović, cujo filme "Until the Day Ends" foi exibido na seção Orizzonti de Veneza, discutiu os desafios políticos e financeiros específicos na Sérvia. Ela explicou que, embora o Centro de Cinema da Sérvia tenha funcionado decentemente por um período, seu financiamento foi totalmente cortado pelo governo em saída como retaliação aos cineastas que apoiavam protestos estudantis contra a corrupção. Esses protestos, que surgiram após o colapso fatal de uma marquise de uma estação ferroviária em Novi Sad em 2024, culminaram em uma vitória liderada por estudantes na eleição parlamentar extraordinária em 25 de outubro e na renúncia do presidente Aleksandar Vučić em setembro. Apesar dessa mudança política, Maksimović alertou que reparar os danos à infraestrutura cinematográfica levará tempo.

Ambas as diretoras enfatizaram que acessar financiamento frequentemente exige conformidade com normas estabelecidas. Maksimović descreveu uma "bolha" entre cineastas que fazem longas-metragens menos convencionais e evitam solicitar financiamentos principais porque antecipam a rejeição. Ela observou que, mesmo quando o financiamento estatal estava disponível, os montantes eram pequenos e as oportunidades de coprodução escassas, no entanto, os cineastas masculinos na Sérvia desfrutavam de privilégios negados às mulheres. Sadat ecoou esses sentimentos quanto à sua experiência no Afeganistão, descrevendo uma "máfia cultural" de homens mais velhos que exclui as mulheres da indústria a menos que elas capitulem ou se submetam a compromissos. Ela acrescentou que, embora ela tenha se conectado com sistemas de produção cinematográfica europeus para contornar barreiras locais, a discriminação fundamental persiste dentro dessas estruturas também.

Moderada pela estudiosa de cinema Takasaki Ikuko, a sessão também tocou no contexto mais amplo das carreiras das mulheres no cinema, seguindo outros eventos do festival, incluindo uma seção de Empoderamento Feminino e um simpósio de animação. Quando questionada por um membro da plateia sobre como alcançar mudanças materiais além de palavras vazias, dado que apenas cerca de quatro filmes na seleção de Tóquio foram feitos por mulheres, Sadat reiterou a necessidade de reformular os sistemas de financiamento e os comitês. Maksimović acrescentou que não quer que seu trabalho seja visto de forma tokenista, questionando se os esforços atuais estão genuinamente mudando o cenário ou simplesmente categorizando as mulheres em caixas.

Olhando para o futuro, Sadat refletiu sobre a realidade de vir de um país devastado pela guerra, onde a sobrevivência tem prioridade sobre o planejamento de longo prazo. Ela sugeriu que mudanças significativas frequentemente começam com pequenos passos, em vez de esperar por transformações em grande escala, observando que o progresso acontece gradualmente ao longo de um tempo muito longo.

Fontes: Variety.