A cineasta coreano-japonesa O Mipo recebeu o Prêmio Akira Kurosawa de 2026 ao lado do diretor iraniano Mohammad Rasoulof. Em entrevista à Variety antes da cerimônia no Imperial Hotel de Tóquio, realizada durante o 39º Festival Internacional de Cinema de Tóquio, O disse que o reconhecimento a fez sentir que estava “voltando aos trilhos” após uma pausa na carreira para criar os dois filhos.
O iniciou sua carreira no cinema como supervisora de roteiro do diretor Obayashi Nobuhiko. Entre os primeiros reconhecimentos que recebeu está um prêmio do Short Shorts Film Festival de 2002 por seu curta-metragem “Eye”. Seu primeiro roteiro de longa-metragem, “The Sakai’s Happiness”, ganhou o Prêmio Sundance/NHK International Filmmakers em 2005, e mais tarde ela dirigiu o filme. Seu drama de 2010, “Here Comes the Bride, My Mom!”, recebeu o grande prêmio do Prêmio Shindo Kaneto, enquanto “The Light Shines Only There” foi o filme indicado pelo Japão ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira.
Depois de dirigir “Being Good”, em 2015, O se afastou um pouco do cinema de longa-metragem para criar os filhos. Ela dirigiu um segmento da antologia de 2022 “Tell It Like a Woman” e, em seguida, voltou aos longas com o drama de amadurecimento de 2024 “Living in Two Worlds”. Seu próximo filme, o drama infantil “How Dare You?”, veio em 2025.
O disse que ficou surpresa ao saber que havia ganhado o Prêmio Kurosawa e, a princípio, se perguntou se não teria ocorrido algum engano. O prêmio reconhece cineastas com realizações significativas que representam o futuro do cinema.
Ela também refletiu sobre as mudanças na indústria cinematográfica japonesa desde que começou a trabalhar como integrante de equipe, em 1999, destacando o aumento do número de mulheres trabalhando como profissionais de equipe e diretoras. Disse que as práticas de produção passaram a dar mais atenção ao respeito e aos direitos, embora continue preocupada com o fato de os filmes japoneses ainda não terem causado um impacto maior nos mercados internacionais. O disse que espera que filmes japoneses mais variados encontrem oportunidades em festivais internacionais e que gostaria de tentar dirigir no exterior, inclusive em Hollywood.
Além de fazer filmes, O trabalhou como diretora de comerciais. Ela disse que, no Japão, os diretores muitas vezes precisam exercer outros tipos de trabalho para ganhar a vida, mas que voltar aos longas-metragens lhe deixou muito menos tempo para projetos publicitários. Ela também descreveu uma disparidade na remuneração: segundo ela, diretores em Hollywood costumam receber pagamento desde a etapa de planejamento, enquanto no Japão podem não receber nada nessa fase.
Sobre a inteligência artificial, O disse que ela já faz parte do cotidiano e da produção de filmes, mas não acredita que vá substituir os cineastas. Disse que incentiva os filhos a continuarem perguntando o que pensam e o que querem fazer, mesmo quando usam IA.
O citou seu antigo mentor, Obayashi, como exemplo de cineasta que continuou a correr riscos. Aos 49 anos, disse que sente ter muitos anos pela frente e quer compensar o tempo em que ficou afastada dos longas-metragens. Segundo ela, o Prêmio Kurosawa a ajudou a sentir que sua carreira voltou a avançar.
Fontes: Variety.